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Um dia conheci um rapaz que tinha a vida mais
banal do mundo.
Acordava todos os dias de madrugada para ir trabalhar,
almoçava sempre no mesmo sítio,
voltava para casa sempre à mesma hora, via os mesmos
programas de televisão e ía dormir depois da novela das nove.
Tudo corria dentro desta banalidade até que um dia encontrou
um lenço com um M bordado em cor de rosa. Mas é melhor
começar pelo início...
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One day I met a boy who had the most
ordinary
life of the world.
He used to wake up every day at dawn to go to work, had lunch always in the same place,
returned home at the same time, watched the same television shows and
was going to sleep after the 9 o´clock soap opera.
All was running smoothly within this commonplace until one day he found a handkerchief
embroidered with a pink M. But it is better to start from the
beginning ...
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Eram 6 da manhã quando aquele
despertador desgraçado teve a lata de dar o ar da sua graça. Nunca
gostei dele. Irrita-me aquela pontualidade britânica. Todos os dias,
sempre à mesma hora, lá está ele a berrar desalmadamente até acordar
toda a vizinhança.
Além disso, é um bruto, não tem modos. Acorda-me de forma
brusca com aquele som que mais parece o alarme do Louvre depois de terem
roubado a Mona Lisa. Poderia ser simpático e tocar uma música romântica
que me embalasse em vez de me acordar.
Porque é que não é como a minha mãe em que lhe peço para me
acordar e depois tem pena de o fazer, deixando-me a dormir até à hora de
almoço? Um pouco de espírito maternal não faz mal a ninguém, nem mesmo a
um despertador.
Lá estou eu a dar a ideia que gosto muito de dormir. Bem,
não é verdade. Eu até acho que deveria ser possível chegarmos à cama,
dormir cinco minutos e ficarmos com a energia suficiente para mais um
dia. No resto do tempo até de manhã poderiamos fazer coisas muito
interessantes, como por exemplo, ver televisão, ou jogar computador...
Portanto, o problema não é gostar ou não de dormir muito. O que não
gosto é de ser mandado de uma forma totalmente autoritária e arrogante
como este despertador o faz. Não há uma palavra de incentivo, um
reconhecimento, nada. É um insensível.
Mas devo dizer que este despertador tem muita força
espiritual para conseguir sobreviver aos mais variados insultos que
tanto ele como a sua familia são alvo. Isto para não falar da sua
resistência fisica para suportar as minhas agressões. Tenho de
reconhecer que a parede do meu quarto também sofre um pouco com as
nossas desavenças. |
It was 6 o´clock in the morning when that
damned alarm had the guts to
start ringing. I never liked it. That British punctuality annoyed
me. Every day, at the same time, there it was cruelly yelling until it
woke up the whole neighbourhood.
Moreover, it is brutish, it has no manners. It wakes me up so suddenly with that sound
that looks more like the Louvre´s alarm after having stolen the Mona
Lisa. It could be nice and play a romantic song instead of waking me up.
Why isn´t it more like my mother that when I ask her to wake me up she
takes pity on me and lets me sleep until lunch time? A bit of motherly
spirit wouldn´t hurt anyone, not even an alarm clock.
Here I am giving the idea that I love to sleep. Well, it is not true. I
even think
that it should be possible to get to bed, sleep for five minutes and
stay with enough energy for another day. In the rest of the time until
morning we could do very interesting things, such as watching television
or playing computer games... So the problem is not liking or not liking to sleep
much. What I do not like is to be bossed around in such an authoritarian
and arrogant manner as this alarm does. There is not a single encouraging
word, a
recognition, nothing. It is insensitive.
But I must say that this alarm clock has an incredible spiritual
strength to
survive to a variety of insults that both he and his family are victims
of.
Not to mention their physical strength to support my aggressions. I must
admit that the wall of my bedroom also suffers somewhat with our
quarrels. |